Revista digital criada para discutir e desvendar a Baixada Fluminense

Edição VIII (de bolso)


Das cinzas ao verde

Trabalho de reflorestamento da Serra do Vulcão persiste, apesar dos incêndios constantes e destrutivos
Douglas Mota

Em pleno 2022, a importância das árvores se tornou inegável em um mundo em guerra contra a emissão de carbono. Além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, esses seres vivos ainda amenizam a temperatura e ajudam a fixar o solo, evitando deslizamentos. Tantos benefícios – e muitos outros – motivaram uma ação organizada pelo Instituto EAE (sigla para educação ambiental e ecoturismo) no dia da Mata Atlântica, em 28 de maio, dentro do projeto “Eles queimam, nós plantamos”.

Mil mudas foram plantadas no lado iguaçuano do Maciço do Gericinó-Mendanha, conhecido como Serra do Vulcão. Foi um trabalho que envolveu cerca de 250 voluntários e contou com o apoio das ONGs Lixo Zero Nova Iguaçu, Tempo de Plantar, Via Verde, O Menino que Planta, da prefeitura do município, da Cedae e das universidades Estácio, UNIG e UFRRJ. No entanto, o trabalho árduo para devolver o verde à Baixada Fluminense foi praticamente desfeito apenas 10 dias depois, quando um incêndio possivelmente criminoso transformou em cinzas mais de cinco hectares da mesma região, que integra a área norte do Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu.

Naquele 7 de junho, o fogo encontrou um cenário favorável para se alastrar, com tempo seco e vento forte. Com pouca água disponível e um terreno de difícil acesso, os brigadistas da Guarda Municipal Ambiental de Nova Iguaçu só conseguiram controlar as chamas depois que 70% do que havia sido reflorestado tinha se perdido. Em nota publicada nas redes sociais, o Instituto EAE destacou a urgência por “políticas públicas que atendam às necessidades reais da área, investimentos na prevenção de incêndios florestais, entre outras questões que são fundamentais para a manutenção e conservação dos recursos naturais ali existentes”.

As queimadas naquela ilha verde, porém, são comuns. Pouco mais de um mês depois, nos dias 23 e 24 de julho, a Serra de Madureira sofreu com mais incêndios, após um balão cair num ponto próximo ao Shopping Nova Iguaçu. A destruição se prolongou pela madrugada, e, durante o combate, um novo foco foi detectado no Vale do Tatu Gamela, situado na zona de amortecimento do parque e que tem vegetação mais sensível. A repetição não surpreende quem mora ou passa pela região e vê, ano após ano, a montanha verde mudar de cor após ser lambida por incêndios evitáveis.

Apesar da realidade hostil, os ambientalistas não desistem. Naquele mesmo mês de julho, uma nova ação de plantio de mudas foi convocada pela organização. No dia 31, 550 novas árvores foram fixadas, revertendo em parte o prejuízo ambiental das queimadas. No fim de setembro, mais plantas passaram a ocupar o local, e periodicamente o grupo realiza ações de plantio e manutenção. Até o fechamento desta reportagem, o Instituto EAE não respondeu aos pedidos de entrevista.


Índice – Edição VIII (de bolso)

2. Reportagem: Sustentabilidade para quem precisa

3. Reportagem: Censo 2022 chega à área rural da Baixada

4. Poesia: “à margem”, de Lasana Lukata

5. Reportagem/Galeria: Fotografias em prol da conservação

6. Reportagem: Das cinzas ao verde

7. Poesia: “poema degradado”, de Lasana Lukata

8. RadarBXD

9. Expediente

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