poema degradado
Lasana Lukata
aguardando navios o cais apodrecido
a cidade comercial um joelho que se dobra
meu joelho não se dobra
dessa terra de laranjas
eu herdei a acidez
a pedra aberta por um raio
homens com mãos fechadas
mãos de pedra só abertas
por um raio e o rio
tão sujo como a política
impossível não manchar as asas
desenrola língua negra
veludo preto
onde presas as derrotas que vende
o barquinho de papel tropeça nas ondas
o tempo para com as garças
a garça plágio do urubu
que se limpa com palavras
vem todos os dias
empoleirar-se no meu verso
com sua visão binocular
enardecer
um mostruário de misérias.
Índice – Edição VIII (de bolso)
2. Reportagem: Sustentabilidade para quem precisa
3. Reportagem: Censo 2022 chega à área rural da Baixada
4. Poesia: “à margem”, de Lasana Lukata
5. Reportagem/Galeria: Fotografias em prol da conservação
6. Reportagem: Das cinzas ao verde
7. Poesia: “poema degradado”, de Lasana Lukata
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