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Trabalho sujo

Dany Vigné

O trabalho é sujo
Tem laranja
Marmelada
Tem de tudo
Tem de tudo

Tem palhaço
João-sem-braço
Cego
E tem burro

Nessa todo mundo perde
Perde o voto
Perde a força
Perde a esperança
Perde tudo

Só não perde a fé
Fé em que?
Fé em quem?

Quem será o próximo herói burguês
O salvador dos justos
A justiça personificada?
Quero máscara
O carnaval tá chegando

Só não desmascara até virar o ano
Quero esperança
Quero engano
Deixa tudo embaixo do pano

Ledo engano
A gente sabe
A gente só se faz de burro
E deixa construir o muro
Que mostra quem tá inseguro

Jesus Cristo
Quem me dera
Que os cristãos
Tivessem lido

O que outrora
Estava escrito
Invés de olhar pro próprio umbigo
E odiar o que é amor

Quero saúde
Quero a dor
Quero a morte
Eu quero a vida

Relaxa
Eu já tô de saída
Não se incomode com a partida

Pois dessa terra desregrada
Onde se faz e não se paga
Não quero lembrar nem o nome
É minha vingança que te afaga.

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Índice – Edição II

1. Aos leitores

2. Poesia: “Trabalho sujo”, de Dany Vigné

3. Galeria: Olhar da Baixada – fotografia

4. Poesia: “A última vez”, de Robertha Oliveira

5. Reportagem: Concurso Miss Baixada Fluminense 2017 reuniu representantes das 13 cidades e lotou quadra da Beija-Flor, em Nilópolis

6. Poesia: “Engessado”, de Marcelo Bragança Rua

7. Entrevista: Henrique Rabelo, economista: “É preciso ‘produzir cidade’ na Baixada”

8. Conto: “Folia de Reis”, de Rafael Diamante

9. Expediente

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