A última vez
Robertha Oliveira
Gostar de alguém depois de um bom tempo,
É como quando você engessa uma parte do corpo,
Fica ali parada e sem utilidade,
Até que você retira o gesso
Neste caso, é romper a barreira do medo.
E pensa “Caramba, tô viva!”
Mas e agora, como isso funciona?
Você já não sabe mais como é se declarar e pensa
“Como vou dizer isso? Devo me arriscar?”
Tudo é novo,
Você vai reaprendendo os movimentos,
E lembra que existem borboletas em seu estômago,
De repente elas ganham vida,
Lembra também, que não pode ter pressa
Afinal, estava parado e sem utilidade
Então tudo é novidade,
Percebe também que seu coração pode ter batimentos tão fortes,
Que se assemelham a uma bateria de escola de samba.
Você até esquece que um dia já esteve engessado.
O sorriso se enlarguece outra vez e já nem perceber,
De tão natural que se tornou,
Os teus olhos chegam a brilhar tanto,
Que incomodam quem não gosta de luz.
E então você parece uma criança,
De tão saltitante e alegre que está,
Afinal,
Você está livre,
E pode se movimentar outra vez.
Índice – Edição II
2. Poesia: “Trabalho sujo”, de Dany Vigné
3. Galeria: Olhar da Baixada – fotografia
4. Poesia: “A última vez”, de Robertha Oliveira
6. Poesia: “Engessado”, de Marcelo Bragança Rua
7. Entrevista: Henrique Rabelo, economista: “É preciso ‘produzir cidade’ na Baixada”
8. Conto: “Folia de Reis”, de Rafael Diamante
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