search instagram arrow-down

Editorial

Douglas Mota

Você já parou para analisar a riqueza ao seu redor? Pense por um instante nos percursos do seu dia a dia. Nas ruas, nos meios de transporte, nas pessoas que atravessam o seu caminho. Olhe à sua volta e perceba o que  sua terra tem de único, os potenciais, os problemas — que não imagino serem poucos. Agora, amplie o seu olhar para o macro. O senso comum diz que a Baixada Fluminense é pobre. Uma das maiores aglomerações urbanas da América Latina, por onde passam inúmeros bens sobre rodas e trilhos, onde se misturam todos os tipos de gente… Será que eles têm razão?

Ofensas não faltam contra nossas origens. Nada de novo, considerando que esse é o resultado comum em mentes pautadas por informações rasas. Ignorar o que não conhecemos é a armadilha para cair numa escuridão de alienação e comodismo. A faísca que incendiou a ideia por trás da revista BaixadaZine foi o desejo feroz de comprar a briga contra esses algozes. Como cantou Michael Jackson, eles não ligam para nós. Então, é hora de começarmos a olhar para nós mesmos.

A Baixada tem história, riquezas materiais e imateriais, algumas infraestruturas invejáveis e muita criatividade. Apesar de estarmos na capital cultural do país, aqui, a cultura pulsa em um coração cujo sangue ainda não consegue alcançar o corpo inteiro. Um organismo com partes debilitadas, mas passíveis de cura. O norte de nossa revista não é somente propagar o que temos de bom, mas também debater o que não é, descobrir o motivo pelos quais não são e propor melhorias. É servir como espaço para discussões, papel da imprensa nem sempre cumprido por aqui.

Assim como outros movimentos locais, a BaixadaZine surge como uma nova fonte de jornalismo produzido para informar, esclarecer e conhecer assuntos relacionados à Baixada. O projeto surgiu da união de dois jovens jornalistas: o queimadense Douglas Mota e a meritiense Itala Barros. Estudamos juntos na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A BaixadaZine é a materialização de uma vontade de fazer algo pela nossa região.

Escolhemos a publicação digital, que nos permite usar diversos tipos de formatos e mídias, abordando com profundidade temas que costumam ocupar poucas linhas ou segundos no noticiário convencional. Em outra frente, difundimos a arte de nossos talentos. Cidades mais desenvolvidas, como Rio de Janeiro e Niterói, já têm mecanismos de difusão cultural mais desenvolvidos. Nossa intenção é divulgar todos os tipos de arte produzidos pela nossa gente.

Nesta primeira edição, trazemos poesias de Lisa Castro e Leonardo Rocha dos Santos, de Nova Iguaçu, e Luizão Bernardo, de Seropédica. A literatura continua presente com um conto de Jacob El-mokdisi, de São João de Meriti. As artes visuais também foram contempladas. Douglas Oxy, também de de Meriti, expõe seu trabalho com arte de rua, enquanto William de Abreu traz uma coleção de fotografias, direto de Japeri.

A primeira reportagem responde a uma dúvida muito comum aos moradores da Baixada: de onde vieram os nomes das cidades? Itala Barros pesquisou e traz as respostas. Ela também tocou no assunto do saneamento básico na matéria seguinte, abordando o uso de nossos rios ao longo da história. O transporte sobre trilhos é o meu foco na última reportagem, onde abordo os recentes investimentos nos trens da Supervia e os problemas que ainda precisam ser corrigidos.

Esta é a primeira edição da BaixadaZine. Vamos produzir edições bimestrais como esta, disponíveis em baixadazine.atavist.com. Estamos sedentos por contribuições de artistas, opiniões dos leitores e sugestões de pauta. É fácil nos achar nas redes sociais: basta procurar @baixadazine no Facebook, no Twitter e no Instagram. Também podem enviar um e-mail para baixadazine@gmail.com.

Boa leitura!

Índice

2. Poesia: “O Meu Lugar”, de Lisa Castro

3. Reportagem: Você sabe o que significa o nome da sua cidade?

4. Galeria: Douglas Oxy – arte de rua

5. Poesia: “Desabrigo”, de Luizão Bernardo

6. Reportagem: Mesmo sendo o manancial do Rio de Janeiro, rios da Baixada sofrem com falta de saneamento e poluição

7. Poesia: “Rendição”, de Leonardo Rocha dos Santos

8.  Reportagem: Governos e gestores prometeram renovar o sistema de trens urbanos, que tem mais de 150 anos. Veja o que saiu o papel e o que falta para melhorar

9. Galeria: William de Abreu – fotografia

10. Conto: “Prisioneira 54”, de Jacob El-mokdisi

11. Expediente

Navegue pela revista por meio das páginas abaixo ☟

This entry was posted in Revista.
%d blogueiros gostam disto: