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Mais de 2 milhões de pessoas não têm coleta de esgoto na Baixada

Dados compilados pelo Instituto Trata Brasil revelam que as 13 cidades da região produzem 267 piscinas olímpicas por dia de esgoto sem tratamento

Douglas Mota

Rio Abel, em Queimados, recebe esgoto in natura até no centro da cidade. Foto: reprodução/Google Street View
Rio Abel, em Queimados, recebe esgoto in natura até no centro da cidade. Foto: reprodução/Google Street View

Em um dos principais endereços de Nova Iguaçu havia uma vala fétida. Com o tempo, ela foi canalizada com manilhas, mas sem a participação do poder público, que até hoje não implementou um sistema de coleta de esgoto. Essa é a realidade que a técnica de laboratório Tânia Lima, de 60 anos, encarou durante décadas na porta de casa, no bairro Cabuçu.

Moradora da Avenida Abílio Augusto Távora, a antiga Estrada de Madureira (RJ-105), ela conta que foi seu pai quem comprou os materiais e instalou o sistema de esgoto de sua casa, exemplo seguido pelos vizinhos. “Quando se vem do Centro para cá, dá para ver os valões por toda a extensão da Estrada de Madureira”, denuncia. Os dejetos, porém, não seguem para uma tubulação apropriada, mas para um riacho numa antiga fazenda. A região fica próxima ao rio Guandu, o mesmo que abastece de água potável a Região Metropolitana.

Essa situação também já gerou muitos percalços na vida de Tânia. Antes da família reforçar o sistema improvisado. “Por não ter para onde ir, quando a vala enchia muito durante tempestades, o esgoto voltava e vazava na área de serviço e no banheiro”, lembra.

Esta ainda é uma realidade comum na Baixada Fluminense, onde mais da metade (57,6%) da população não tem seu esgoto coletado – um contingente de 2,1 milhões de pessoas.  É o que revelam os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério do Desenvolvimento Regional, compilados pelo Instituto Trata Brasil. O percentual da região fica abaixo das médias da Região Metropolitana do Rio (33,2%) e do Brasil (46,9%).

Os dados, disponíveis no Painel Saneamento Brasil, elaborado pelo instituto, ainda indicam que a quantidade de esgoto lançado sem tratamento chega a 243,6 milhões de metros cúbicos por ano, o equivalente a 267 piscinas olímpicas por dia.

Sete das 13 cidades não apresentam o percentual do esgoto tratado (Guapimirim, Itaguaí, Japeri, Magé, Paracambi, Queimados e São João de Meriti). Considerando apenas os municípios com dados disponíveis (Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu e Seropédica), observa-se que quase 90% do esgoto não recebem o tratamento adequado, o que contribui para a poluição dos rios que deságuam nas baías de Guanabara e Sepetiba.

Não é só no quesito esgoto, porém, que os municípios da Baixada apresentam indicadores ruins. A região conta com mais de 565 mil pessoas sem acesso à água, ou 18,2% da população, mais do que o dobro da Região Metropolitana, com 8,8%.

Confira no gráfico abaixo a situação do saneamento em cada um dos 13 municípios da Baixada Fluminense:

Atenção: por razões técnicas, o infográfico não aparece na página. Para visualizá-lo, clique aqui.

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