Revista digital criada para discutir e desvendar a Baixada Fluminense

Edição VII

Edição VII

Rodovias sob nova direção

Importantes rodovias da Baixada foram privatizadas, mudarão de administração ou devem passar por obras de ampliação em breve; Saiba mais sobre o que vem por aí
Rodovia Presidente Dutra na altura de Queimados. Douglas Mota/BaixadaZine
Douglas Mota*

“Governar é construir estradas”, diz a frase atribuída ao presidente Washington Luís. Em seu governo (1926-1930), foi construída a primeira rodovia pavimentada do Brasil, que corta Duque de Caxias de Norte a Sul e que, anos depois, foi batizada em sua homenagem. Naquele momento do século XX, o rodoviarismo começava a ditar as políticas públicas de transporte no Brasil, levando ao fim muitas das ferrovias citadas na reportagem anterior. Até hoje o modal rodoviário segue sendo protagonista na Baixada Fluminense, e recentes decisões governamentais prometem mudanças no sistema e impactos no bolso dos moradores.

O Arco Metropolitano e a Rio-Santos foram privatizados, e a gestão da Rodovia Presidente Dutra e da Rio-Teresópolis estão em vias de mudar. Enquanto isso, a esperada extensão da Via Light foi anunciada mais uma vez. Confira a seguir algumas novidades que podem ter passado batidas.

Dutra (BR-116) e Rio-Santos (BR-101)

BR-101, a Rodovia Rio-Santos, na altura de Itaguaí. Reprodução/Google Street View

Em outubro do ano passado, a empresa CCR venceu o leilão da nova concessão da rodovia Presidente Dutra, que já administrava desde 1996. No entanto, houve mudanças na área de concessão a ser administrada pela companhia. O trecho da rodovia entre Seropédica e a capital fluminense ficou de fora do certame, enquanto o caminho entre o Rio e Ubatuba (SP) da BR-101, a Rio-Santos, foi incorporado à gestão. Com isso, será instalada uma praça de pedágio em Itaguaí, com valor ainda a ser definido.

No entanto, o projeto de concessão estabeleceu que a CCR duplique 80 km da rodovia em território fluminense, além da construção de vias marginais para acesso aos municípios, passarelas e áreas de descanso para caminhoneiros. Já na Dutra, prevê-se que a partir do sexto ano de concessão seja construída a nova pista na Serra das Araras, num trecho de 16,2 km entre Paracambi e Piraí.

Sistema Rodoviário Rio-Governador Valadares

A EcoRodovias, que administra a Ponte Rio-Niterói, foi a única a apresentar proposta no leilão que concedeu o eixo rodoviário conhecido como Rio-Valadares, que vai da capital fluminense à cidade mineira de Governador Valadares. O que pouco se noticiou, porém, é que a área concedida inclui quatro rodovias centrais da Baixada Fluminense, inclusive o trecho da Dutra entre o Rio e Seropédica. O pacote ainda abarca a BR-465, antiga Rio-São Paulo, que corta Nova Iguaçu e Seropédica; a Rio-Teresópolis (BR-116), que atravessa Magé e Guapimirim, antes administrada pela CRT; e o Arco Metropolitano (BR-493), que vai de Itaguaí a Itaboraí, passando por Seropédica, Japeri, Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

Ainda não se sabe a localização de todas as cinco praças de pedágio a serem instaladas no Rio de Janeiro. Mas o projeto prevê investimentos de R$ 4 bilhões no trecho fluminense da BR-116, R$ 1,5 bilhão no Arco e R$ 300 milhões na Rio-São Paulo nos próximos 30 anos, que é o tempo de concessão estipulado no contrato.

Rodovia Washington Luís (BR-040)

Desde 1995, o pedaço da BR-040 entre Rio e Juiz de Fora (MG) é gerido pela Concer. O contrato de concessão venceu em 2021, mas a empresa segue no controle da rodovia por decisão judicial. O governo federal pretende leiloar o percurso da capital fluminense até Belo Horizonte no primeiro semestre de 2023, segundo o coordenador do Departamento de Transportes Rodoviários do Ministério da Infraestrutura, Anderson Santos Bellas, que adiantou o plano em audiência realizada este mês na Câmara dos Deputados.

Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias. Reprodução/Google Street View

O projeto prevê, entre outras melhorias, a conclusão das obras da nova subida da Serra de Petrópolis, um dos trechos mais perigosos da rodovia devido à pista estreita, sem acostamento e com curvas muito fechadas – exatamente com as mesmas características da época de sua inauguração, em 1928. As obras se iniciaram em 2013 e foram interrompidas três anos depois por impasses entre a União e a concessionária.

Via Light e Transbaixada

Inaugurada em 1998, a Via Light (RJ-081) aguarda desde então a sua extensão em ambos os sentidos, chegando à Dutra e à Avenida Brasil, em Guadalupe, Zona Oeste do Rio. Em 2010 e 2014, o governo do estado chegou a prometer as obras, que alcançariam, ao menos, o bairro de Madureira, na Zona Norte, mas nada saiu do papel.

Via Light, na altura do Centro de Nova Iguaçu. Igor Ramos Asakate. CC 4.0

Este ano vieram mais expectativas: além da extensão em território carioca, o secretário de Infraestrutura e Obras do estado, Max Lemos, apresentou um projeto que prevê a construção de mais um trecho de 12 km até a Via Dutra, em Queimados, cortando os bairros iguaçuanos de Comendador Soares e Cabuçu. Para isso, estão previstos R$ 730 milhões em investimentos, a construção de 12 viadutos e o remanejamento de 23 torres de alta tensão da Light.

Outro projeto anunciado há mais de uma década é a TransBaixada, um arco rodoviário de 27 km, às margens do Rio Sarapuí, que iria de Nilópolis até Gramacho, em Caxias, ligando as vias Dutra, Light e Washington Luís, atravessando ainda Mesquita, São João de Meriti e Belford Roxo. O projeto previa também a implementação de uma linha de BRT e a construção de ciclovias e praças ao longo das pistas.

Em junho de 2021, o governador, Cláudio Castro, prometeu a retomada do projeto, em entrevista ao jornal “Extra”. Em dezembro, autoridades estaduais e caxienses realizaram uma audiência pública na Câmara Municipal de Duque de Caxias a fim de apresentar o primeiro trecho da via, de 12 km, ligando a Dutra à Washington Luís. No entanto, ainda não há previsão para início e conclusão das intervenções.

*Com informações da Agência Câmara


Índice – Edição VII

2. Poesia: “À beira do Sarapuí”, de Rennan Cantuária

3. Reportagem: Muito além da Supervia

4. Reportagem: Rodovias sob nova direção

5. Poesia: “Violência contra mulher”, de Kaká Freitas

6. Galeria: Beto Teixeira – desenho e assemblagem

7. Reportagem: Outros olhares para a cidade

8. Poesia: “Porções”, de Marlos Degani

9. Reportagem: Gramacho: a cidade do lixo parada no tempo a 30 km da praia de Copacabana

10. Galeria: Janaina Tavares – fotografia

11. Conto: “Metalinguagem”, de Gabriel Fontoura

12. Expediente

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