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A poesia é um flerte

Alan Salgueiro

A poesia é um flerte
Eu li o recado
Num muro pichado
No roxo das ruas
Das vielas sujas
E ali eu construí a minha saga

Eu vi naquele barro
Um espelho da minha alma
que cuspia nas vias
A melhor metáfora

E quando os pés descalços
Lá driblavam a lama
Fui me fazer poeta
Às bençãos de Donana

Os mesmos muros que emolduram
O lodo e o chapisco
Abrigam esses rabiscos
No concreto duro

Do spray e da caneta resvalou um cisco
Semente selvagem de asfalto que brota
Que faz essa gente parar na tua porta
Sedentos de mentes que neles se atentem

E o muro que mora na esquina sombria
Também se vestiu da mais linda poesia
Fincou-se na história feito uma pilastra
E hoje a mensagem ainda se alastra
No flerte dos versos que afrontam as muralhas
E nascem valentes nos céus da Baixada

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